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Baby conquista bronze, e Brasil quebra recorde de medalhas no judô

Rafael Silva com a medalha de bronze no judô (Foto: Reuters)Baby  morde a medalha de bronze (Foto: Reuters)

Foi na última luta, no golden score. E pelas mãos de um gigante. Rafael Silva, carinhosamente apelidado de "Baby", fechou a conta. Um bronze de peso, do pesado (acima de 100kg). O paulista de 25 anos, que começou a lutar apenas aos 15, abocanhou a quarta medalha do judô brasileiro nos Jogos Olímpicos de Londres, recorde do país em uma mesma edição, meta antes do início das Olimpíadas.

O sul-mato-grossense Baby venceu Kim Sung-Min, da Coreia do Sul, para assegurar a medalha histórica, a primeira do país em sua categoria. O feito veio com doses extras de tensão: Rafael Silva foi ao golden score (três minutos de morte súbita) em suas quatro últimas lutas; na que valeu o bronze, venceu por yuko, pontuação mínima do judô, graças ao acúmulo de shidos (advertências) contra seu adversário.

- Estou morto. Foram quatro golden scores, mas é muito gratificante. Estou colhendo os frutos de um trabalho de quatro anos - contou Baby.

Quatro era o número mágico estipulado pela Confederação Brasileira de Judô (CBJ) antes das Olimpíadas de Londres 2012. Ney Wilson, coordenador técnico da seleção, não aguentou ver a luta ao vivo. Ficou na área de atletas, assistindo por um monitor. Baby era a última "munição". Pouco antes, Suelen Altheman fora derrotada na disputa do bronze.

As esperanças estavam em um gigante de 2,03m e, hoje, 168kg. Apenas o francês Teddy Riner é mais alto. Um centímetro. Favoritíssimo, foi ele quem subiu no mais alto degrau no pódio em Londres. Venceu o russo Alexander Mikhaylin na final. . Baby foi revelado em um projeto para caçar pesados. Um gigante que fica ainda maior ao lado baixinho Luiz Shinohara, o técnico, de 1,65m.

- Tento ficar mais atrás - brinca Shinohara.

Depois da derrota nas quartas de final, na bandeira, Baby quase tombou. Tiago Camilo, prata em Sydney 2000 e bronze em Pequim 2008, foi até ele. E tentou levantar amigo o grandalhão.

- Bandeira é sempre complicado. Você sai com aquele gostinho  "podia ser minha"

Yuko no golden score

A luta começou estudada, com ambos os judocas trocando toques embaixo sem arriscar entradas por mais de um minuto. Kim tentou a primeira queda, com um seoi nage, mas nem tirou o brasileiro do chão. Baby girava, tentava um toque aqui, outro ali, para desestabilizar o sul-coreano. O o-soto-gari, eficaz nas primeiras lutas do dia, foi bem

defendido pelo adversário. O tempo passava, e nenhum dos dois pontuava, nem levava punições. O primeiro shido, para ambos, veio apenas com 1m35s restando.

Kim passou a ser mais ativo, tentando provar aos árbitros que estava tentando. O o-soto-gari de Baby foi novamente bloqueado. Na tentativa de um contragolpe, o sul-coreano desequilibrou o brasileiro, que girou para não cair. Em seguida, os papéis se inverteram: Rafael derrubou, e Kim girou, como um gato. Mais alguns segundos de tentativas frustradas, e Baby voltou ao golden score, pela quarta luta consecutiva.

Rafael Silva comemora bronze no judô (Foto: AFP)Rafael Silva vibra com a conquista da medalha de bronze nos Jogos de Londres (Foto: AFP)

Mais do mesmo. O brasileiro quase encaixou um o-soto-gari a 2m30s do fim, mas Kim se defendeu novamente. Outra tentativa falhou por pouco em seguida. O sul-coreano não queria luta. O árbitro central interrompeu com 1m47s para o fim, chamou os auxiliares e pediu para os judocas ajeitarem seus quimonos. Era o sinal de que viria a punição. Após segundos de tensão, a confirmação: shido para Kim, somando um yuko para Baby e garantindo o bronze inédito para os pesos-pesados do Brasil.

- O Brasil tem realizado um excelente trabalho de preparação para 2016. Claro que poderia ter sido melhor, mas no total o Brasil conseguiu trazer quatro medalhas, o que era um dos nossos objetivos. Espero que venha muita coisa boa ainda para o Brasil. Temos potencial de conseguir muito mais em 2016 - afirmou Rafael Silva.

O caminho da medalha

Com quatro medalhas, a seleção brasileira de 2012 superou os desempenhos de Los Angeles 1984 (uma prata e dois bronzes) e Pequim 2008 (três bronzes) para se tornar a mais vitoriosa em Olimpíadas. Além de Baby, Felipe Kitadai (peso-ligeiro, até 60kg) e Mayra Aguiar (peso-meio-pesado, até 78kg) levaram bronzes, e Sarah Menezes (peso-ligeiro, até 48kg) conquistou o único ouro da campanha. Ney Wilson, que estipulou a meta, confessou nervosismo e apreensão nos momentos decisivos.

- Foi muito duro, muito apertado, na última luta. Nem consegui ver, fiquei aqui no canto. Em alguns momentos, ficava aquele "pode ser, pode não ser". Mas trabalhar com metas é sempre importante. Eu sabia que poderia falhar, mas estava confiante. A equipe tem muito potencial, e poderia ter chegado a até mais medalhas - declarou o dirigente.

O pódio do peso-pesado masculino (+100kg): 1º Teddy Riner (FRA) 2º Alexander Mikhaylin (RUS)

3º Rafael Silva (BRA)


3º Andreas Toelzer (ALE)

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